Nocturno
As oliveiras de além
Enchem o chão de perfume.
No campo sinto-me bem:
Gosto do lume.
Abres a mão - e uma pinha
Rebenta em lúcidas unhas.
Ardes. Que amor que eu te tinha!
Tão grande, que nem supunhas.
A tarde na terra embebe
Os olhos com que me vias,
Dás-me o cabelo. Que sebe
De rosas frias!
Amor, vê a voz que chama:
Quer água ou lençóis de linho
Na palha da sua cama?
Em verso a noite adivinho.
Vitorino Nemésio
Enchem o chão de perfume.
No campo sinto-me bem:
Gosto do lume.
Abres a mão - e uma pinha
Rebenta em lúcidas unhas.
Ardes. Que amor que eu te tinha!
Tão grande, que nem supunhas.
A tarde na terra embebe
Os olhos com que me vias,
Dás-me o cabelo. Que sebe
De rosas frias!
Amor, vê a voz que chama:
Quer água ou lençóis de linho
Na palha da sua cama?
Em verso a noite adivinho.
Vitorino Nemésio



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