Memórias da escola!!
«... O António, hoje, inventou mais uma das mil maneiras de diminuir o efeito das reguadas na mão. "Olha", dizia ele todo exitado, "antes de saires de casa pões azeite e sal nas mãos e esfrega bem. Vais ver, quando a régua te bater nas mãos ela escorrega e já não vai doer tanto".
No dia seguinte para além da ansiedade de ver o professor a corrigir o ditado para saber quantos erros tinha dado e consequentemente quantas reguadas iria apanhar (a formula era cada erro uma reguada), havia também a ansiedade em saber se aquela "michórdia" inventada por António daria ou não resultado. Nesse dia, mais uma vez, calhou ao António, que dava sempre muitos erros, experimentar a sua formula. Seis reguadas. Chegados ao intervalo fomos logo a correr ter com o António para ele contar a sua experiência, disse ele ainda balbuciando: "Oh pá isto não surtiu nada efeito e ainda por cima por causa do sal fiquei com umas marcas esquisitas na mão...". "Eh eh eh! ainda bem que não fui eu", pensei. Eu sabia que a melhor forma das reguadas não doerem tanto era ainda esfregar as mãos com força mas minhas calças de ganga gasta e com joelheiras pois elas aqueciam e a dor tornava-se mais suportável. Havia ainda a hipótese de fugir com a mão no momento exacto, mas Ricardo já havia experimentado, e apesar de se ter livrado a uma reguada (que embateu violentamente na mão do professor)não se livrou de apanhar mais dez do que aquelas que estavam inicialmente previstas.
... Lembro-me ainda do Várzeas que tinha uma quinta e que contra tudo e contra todos, resolveu trazer uma cana da india, com mais de 2 metros de comprimento, ao professor para substituir uma que já estava gasta e quase partida. O resultado foi que num momento de distracção foi ele o primeiro a experimentar a cana nova, que bateu certeiramente na sua orelha esquerda e que para além de ter doido - imagino eu - levou o Várzeas a exclamar quase espontaneamente: "Ah é assim. Pois fique sabendo que nunca mais lhe trago nenhuma cana nova", o que provocou o riso geral e até um certo embaraço no professor...
A régua era de facto um factor intimidativo, impunha respeito e ditava a diferença que existe entre aluno e professor e acreditem quando aplicada com mestria e bom senso era um grande factor de educação.
... Hoje, talvez, já não existem "Antónios", cuja preocupação era fugir às reguadas, ou "Várzeas" que para agradarem aos professores traziam canas da india...»
IN - «As minhas memórias da escola» - Nuno Silva.
Esta semana por esse país fora começará, com mais ou menos alegria, a escola, e muitas outras "estórias" haverá a contar. Irão conhecer-se novos amigos ou irão rever-se os antigos. São uns dos melhores tempos da vida.
Queria aproveitar para dar os parabéns a duas pessoas de quem eu me orgulho muito. Desta vez conseguiram mais um grande passo para as suas vidas: Entrar na Universidade. Força. A estrada faz-se caminhando!!! Como eles cresceram...
No dia seguinte para além da ansiedade de ver o professor a corrigir o ditado para saber quantos erros tinha dado e consequentemente quantas reguadas iria apanhar (a formula era cada erro uma reguada), havia também a ansiedade em saber se aquela "michórdia" inventada por António daria ou não resultado. Nesse dia, mais uma vez, calhou ao António, que dava sempre muitos erros, experimentar a sua formula. Seis reguadas. Chegados ao intervalo fomos logo a correr ter com o António para ele contar a sua experiência, disse ele ainda balbuciando: "Oh pá isto não surtiu nada efeito e ainda por cima por causa do sal fiquei com umas marcas esquisitas na mão...". "Eh eh eh! ainda bem que não fui eu", pensei. Eu sabia que a melhor forma das reguadas não doerem tanto era ainda esfregar as mãos com força mas minhas calças de ganga gasta e com joelheiras pois elas aqueciam e a dor tornava-se mais suportável. Havia ainda a hipótese de fugir com a mão no momento exacto, mas Ricardo já havia experimentado, e apesar de se ter livrado a uma reguada (que embateu violentamente na mão do professor)não se livrou de apanhar mais dez do que aquelas que estavam inicialmente previstas.
... Lembro-me ainda do Várzeas que tinha uma quinta e que contra tudo e contra todos, resolveu trazer uma cana da india, com mais de 2 metros de comprimento, ao professor para substituir uma que já estava gasta e quase partida. O resultado foi que num momento de distracção foi ele o primeiro a experimentar a cana nova, que bateu certeiramente na sua orelha esquerda e que para além de ter doido - imagino eu - levou o Várzeas a exclamar quase espontaneamente: "Ah é assim. Pois fique sabendo que nunca mais lhe trago nenhuma cana nova", o que provocou o riso geral e até um certo embaraço no professor...
A régua era de facto um factor intimidativo, impunha respeito e ditava a diferença que existe entre aluno e professor e acreditem quando aplicada com mestria e bom senso era um grande factor de educação.
... Hoje, talvez, já não existem "Antónios", cuja preocupação era fugir às reguadas, ou "Várzeas" que para agradarem aos professores traziam canas da india...»
IN - «As minhas memórias da escola» - Nuno Silva.
Esta semana por esse país fora começará, com mais ou menos alegria, a escola, e muitas outras "estórias" haverá a contar. Irão conhecer-se novos amigos ou irão rever-se os antigos. São uns dos melhores tempos da vida.
Queria aproveitar para dar os parabéns a duas pessoas de quem eu me orgulho muito. Desta vez conseguiram mais um grande passo para as suas vidas: Entrar na Universidade. Força. A estrada faz-se caminhando!!! Como eles cresceram...



3 Comentários:
boa estória e boas memórias.
Será que o António inventou alguma coisa contra as caneladas que a gente dava nos suportes laterais das secretárias destinadas às mochilas?
Houve um dia um que inventou uma estratégia para o quadro, onde o professor escrevia o que queria mas quando ia apagar... está quieto (o sabão faz milagres).
Saudades dos mapas grandes.
Saudades das campaínhas avariadas e dos gritos que a subsituiam. "Entradaaaaaaa".
Das guerras com os picos dos cactos (dentro de canas de plástico)eheheheh.
Já na Universidade (ou pseudo) a inocência dá lugar à maldade.
Já a piada é outra... ou não.
Mas parabéns a esses dois. Um novo mundo começa. Felicidades
Ainda havia o jogo do "abafa" com os cromos ou das caricas etc, mas isso está noutro capítulo... lá chegarei com o tempo e na altura certa!!! Há um tempo para tudo, mas o da escola naqueles tempos é insubstituível.
Para os dois um novo mundo começa é verdade, mas eu sei que vão estar à altura...
Um abraço!!
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